"A partir de R$ 99" é uma frase honesta e incompleta ao mesmo tempo. Ela diz o piso, não diz a conta. Este artigo é sobre a conta inteira.
A conta completa
O custo real de uma graduação não é a mensalidade. É:
(mensalidade × número de meses) + taxas + materiais − bolsas e descontos
Repare no "número de meses". É aí que mora a diferença que quase ninguém calcula: uma mensalidade um pouco maior num curso mais curto pode custar bem menos no total do que uma mensalidade baixa por quatro anos.
É por isso que aproveitamento de estudos é assunto financeiro, não só acadêmico. Cada disciplina dispensada é um mês a menos pagando. Veja como funciona o aproveitamento.
A mensalidade, e a pegadinha do reajuste
Aqui está a prática de mercado que mais machuca aluno de EAD: a mensalidade de entrada não é a mensalidade do curso.
Funciona assim: um valor promocional atrai a matrícula e, no semestre seguinte, vem o reajuste. Quando a pessoa percebe, já está com disciplinas cursadas, e recomeçar em outra instituição custa mais caro do que continuar. É um funil que conta com a sua inércia.
A pergunta que resolve isso é uma só:
"O valor da mensalidade muda durante o curso? Se muda, quando e em quanto? Podem me mandar isso por escrito?"
Faça essa pergunta para todas as instituições que você está considerando, inclusive para o Polo Pinhais. A resposta, e principalmente a disposição de colocá-la por escrito, diz muito.
Os custos que ninguém mostra
- Taxa de matrícula ou de inscrição. Existe? É cobrada todo semestre?
- Taxas acadêmicas. Segunda via de documento, histórico, declaração, prova substitutiva. Toda instituição tem uma tabela, peça a dela.
- Material didático. Está incluso ou é à parte?
- Emissão e registro do diploma. Costuma ser cobrado no fim, quando ninguém mais está prestando atenção.
- Colação de grau. A cerimônia pode ter custo próprio.
- Deslocamento. Se as provas forem presenciais, quanto custa ir até lá, e quantas vezes por semestre?
- Reprovação. Refazer disciplina custa. Pergunte quanto.
Nenhum desses itens é escândalo, instituição precisa se sustentar. O problema não é existir: é aparecer só depois.
Como pagar menos, de verdade
1. Aproveite o que você já estudou
É o maior desconto disponível e o menos usado. Técnico concluído, graduação anterior, faculdade trancada, tudo pode gerar aproveitamento e cortar meses do curso. A análise costuma ser gratuita.
2. Verifique convênios
Muitas empresas têm convênio com instituições de ensino e o funcionário não sabe. Pergunte no RH, e pergunte ao polo se a sua empresa está na lista.
3. Pergunte sobre bolsas específicas
Existem bolsas que não são divulgadas em massa: para atletas, para servidores, para grupos específicos, por indicação. Elas aparecem quando você pergunta.
4. Compare o custo total, não a mensalidade
Faça a conta dos meses. Um curso de 2 anos a R$ 250 custa menos que um de 4 anos a R$ 150.
5. Considere programas de financiamento
FIES, ProUni e financiamentos privados podem se aplicar dependendo da instituição e do seu perfil. Pergunte se a instituição participa.
O que perguntar antes de assinar
Copie e cole, se quiser:
- Qual o valor da mensalidade do curso que eu quero, no meu caso?
- Esse valor muda durante o curso? Quando e quanto? Pode mandar por escrito?
- Quantos meses dura, considerando o meu aproveitamento?
- Qual o custo total estimado até o diploma?
- Quais taxas existem além da mensalidade? Tem tabela?
- Material didático está incluso?
- Emissão do diploma tem custo?
- Que bolsas ou convênios eu posso ter direito?
Se alguma resposta vier vaga, insista. Você está prestes a assumir um compromisso de anos: tem todo o direito de saber o preço dele.
O resumo
Mensalidade não é preço, é parcela. O preço é mensalidade × meses + taxas − descontos. Pergunte sobre reajuste por escrito, some as taxas, e lembre que o maior desconto disponível é aproveitar o que você já estudou.